A Fundação José Aurélio: uma segunda vida, em crescimento

A Fundação nasceu em março de 2007, no mesmo mês em que o Armazém abriu portas ao público pela primeira vez, com uma convicção muito simples: a de que o acesso à arte contemporânea deve ser democrático, afastado de discursos herméticos dedicados apenas a quem já está dentro do assunto. Nesses primeiros cinco anos, com exposições como "Escultura com Afectos" (2007) ou "Modelar o Espaço" (2009), o Armazém recebeu cerca de 12.000 visitantes, até fechar portas, em março de 2012.

A história recomeçou em março de 2023, com o apoio do Município de Alcobaça e uma exposição simbólica, "Artigo 4.º", que mostrou pela primeira vez, na íntegra, a coleção de arte contemporânea reunida ao longo de décadas por José Aurélio e doada à Fundação. Foi também nessa altura que nasceram várias outras iniciativas, umas de cariz pontual outras de continuidade, como o caso do "Vinil à Hora", os "sunset party", a "sala do artista" e tantas outras.

Desde então, o crescimento não parou: de pouco mais de 5.400 visitantes em 2023, o Armazém passou a mais de 11.000 em 2024 (um salto de 100%) e a mais de 10.000 em 2025, ano em que, pela primeira vez, passou a cobrar bilhete (com entrada livre à quinta-feira). Lançou os cartões "Amigo do Armazém" e "Estudante", e entrou formalmente na Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC). No total, já são mais de 20.000 visitantes desde a reabertura. Ganharam também vida dois novos espaços dentro do edifício: a Galeria do Armazém, dedicada a trabalho urbano e emergente, e a Black Box. A par das exposições, há hoje um trabalho contínuo de mediação cultural, visitas guiadas, atividades para escolas e famílias, pensadas para tornar a arte contemporânea próxima e inteligível para todos, sem abdicar da exigência e do rigor.

Nada disto seria possível sem uma rede de parceiros que foi crescendo com o projeto: o Município de Alcobaça; a DGArtes e a RPAC; a Academia de Música de Alcobaça; a S.A. Marionetas; e instituições como a Cistermúsica, a ESAD, o CENCAL ou a Escola Secundária D. Inês de Castro, entre outras. Foi também essa maturidade institucional, e o reconhecimento do trabalho feito, que em maio de 2026 levou à mudança de nome: de Armazém das Artes – Fundação Cultural para Fundação José Aurélio, em homenagem ao seu fundador, mantendo o Armazém das Artes como nome do espaço em Alcobaça.

É precisamente nesta fase de maior ambição que nasce "Territory: Fronteiras na Arte Pública", o projeto que o traz agora até cá. Com curadoria de Hyland Mather e o apoio da DGArtes através da RPAC, reúne dez artistas nacionais e internacionais numa rede que liga o Armazém das Artes (onde a exposição central estará patente de outubro de 2026 a março de 2027) à Galeria NovaOgiva, em Óbidos, e ao Centro de Artes de Sines, com intervenções em espaço público, um ciclo de conversas e um catálogo comum, e um calendário de atividades que se estende até 2028. Faz, por isso, todo o sentido que seja, como artista do Territory, a dar corpo a este novo capítulo da história do Armazém.